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NOTÍCIAS: 13 de maio de 2026 (publicada em inglês a 4 de maio de 2026)
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Panorama de Notícias
Peregrine

Atila Sinke Guimarães
O QUE LEÃO XIV NÃO VIU OU DISSE NA ÁFRICA – Seguem algumas considerações sobre a recente viagem do Papa Leão XIV à África.

Mentor

Mentor formando Telêmaco
na ausência de Ulisses

Se alguém propagasse publicamente a ideia de que o governo das nações deveria ser entregue a estudantes do ensino médio, seria considerado louco ou preso. A razão é óbvia: os adolescentes ainda estão em um estágio inicial de aprendizado e precisam atingir a maturidade de julgamento antes de ser capazes de governar a si mesmos e aos outros. Uma nação governada por adolescentes estaria fadada ao fracasso.

Por uma razão análoga, em nações civilizadas, as decisões legais tomadas por menores não são responsabilizadas perante a lei. É o pai ou o responsável legal do menor quem é responsável por sua conduta.

Habitualmente, o direito internacional considera que a maioridade – a idade em que um jovem pode ser responsabilizado por si mesmo – é aos 18 anos. Antes dessa idade, o jovem deve aprender com os outros como pensar, tomar decisões e agir. Nada é mais normal; nada é mais razoável; nada é mais útil para a juventude; nada é mais seguro para a sociedade.

Se um partidário comunista se dirigisse a estudantes do ensino médio e lhes dissesse que estão sendo oprimidos por seus pais, que os "exploram," e que precisam se "emancipar" dessa "escravidão," esse homem estaria prejudicando o bem comum. Ele estaria promovendo a "luta de classes" para envenenar a boa ordem da sociedade.

Colonialismo: duas faces da mesma moeda

Essa metáfora da corrupção de estudantes do ensino médio é precisamente o que aconteceu na África nas décadas de 1950 e 1960 com o Movimento de Emancipação dos Povos. A Revolução soou artificialmente o sino da morte para o domínio dos países europeus sobre suas colônias na África.

Che Guevara in Africa

Che Guevara ensinando táticas de guerrilha na África: acima, 1964 na Tanzânia; abaixo, 1965 no Congo

Sob vários pretextos, dependendo das diferenças religiosas e culturais locais, os comunistas estabeleceram a “luta de classes” entre negros e brancos, sob o pretexto, às vezes real, mas na maioria das vezes fictício, de que os primeiros eram oprimidos e explorados pelos últimos.

A mesma Revolução que instigou esses súditos a se rebelarem contra seus mentores naturais disseminou entre eles a ideia de que era “vergonhoso” ter colônias. Assim, vimos os governos da França, Inglaterra, Itália, Espanha, Portugal, Bélgica e Holanda serem tomados por um inexplicável respeito humano por possuir colônias e defendê-las contra esses subversivos comunistas.

Notável também foi o silêncio da Igreja Católica, que observou todo o processo se desenrolar sob seus olhos e nada disse para impedir a destruição desse status quo natural.

O resultado foi o fim do colonialismo, e os continentes africano e europeu respiraram aliviados, como se tivessem sido libertados da lepra. Na verdade, eles partiram sem completar, nessas colônias, a etapa necessária de formação que naturalmente terminaria quando elas fossem capazes de se autogovernar. Isso representa uma enorme lacuna no panorama. A África ainda estava na adolescência, não na idade adulta. Essa lacuna é o fator de realpolitik mais importante em seu panorama sociopolítico.

Certamente, essa “libertação” prematura beneficiou os comunistas e socialistas que a inspiraram, e prejudicou enormemente tanto os negros das colônias quanto os brancos das metrópoles.

A realidade que testemunhamos na África – décadas após essas “emancipações” até hoje – é o mesmo tipo de caos que seria produzido se adolescentes tivessem permissão para governar esses povos. Vimos uma constante mudança de regimes e nomes de países, grande instabilidade política, frequentes golpes de Estado, guerras civis endêmicas e invasões mútuas incessantes. Tudo isso foi movido por uma sede desenfreada de poder, ganância e corrupção, e realizado em uma cacofonia de violência bárbara temperada com fanatismo muçulmano e ódio comunista.

Este é o pano de fundo da realidade africana que nem Leão XIV nem os outros Papas conciliares levaram em consideração ou tentaram resolver em suas viagens à África. Tratar esses adolescentes como adultos responsáveis é ser cúmplice de seus crimes.

Um neocolonialismo de fato

New communist colonialism

Os Papas conciliares fecham os olhos ao Novo Colonialismo comunista que se estabelece na África

Embora no Ocidente não seja bem visto falar dessa disparidade – quem o faz corre o risco de ser tachado de “discriminatório” contra os negros, quando a realidade é justamente o oposto –, há quem a considere com a máxima seriedade. São agentes dos dois países comunistas mais poderosos do mundo: China e Rússia.

Enquanto os líderes dos países europeus competem para pedir perdão por quaisquer erros que supostamente cometeram quando mantinham colônias africanas, China e Rússia assinam contratos vitais com cada um desses países “emancipados.” Com esses contratos, China e Rússia adquirem direitos sobre seus recursos naturais ou os envolvem em projetos faraônicos para os quais precisarão da ajuda comunista para sempre. Em outras palavras, China e Rússia estão se tornando, de fato os novos senhores da África.

Assim, o colonialismo, que era feio e desprezível quando praticado pelo Ocidente, tornou-se belo e lucrativo quando praticado pelos comunistas.

Ao longo de 60 ou 70 anos, o comunismo transferiu todo o continente africano das mãos da Europa para as suas próprias, criando a ideia generalizada de que fez um grande bem aos povos da África em ambas as fases do processo: a “libertação” e a “nova escravização.” É, sem dúvida, uma enorme mentira, mas uma vitória colossal da sua guerra psicológica contra a civilização ocidental.

Por que tudo isso aconteceu? Porque a África ainda é um continente adolescente que precisa de mentores para se formar até atingir a maturidade. O processo normal de desenvolvimento foi interrompido e tornou-se uma ferramenta nas mãos dos comunistas para promover a “emancipação” desses países dos seus tutores europeus e, em seguida, escravizá-los à China e à Rússia.

Por que Leão XIV, Francisco e os outros Papas conciliares, nas suas viagens à África, não perceberam essa lacuna e não disseram nada para direcionar aquele querido continente no caminho certo? Foi apenas ignorância ou foi cumplicidade com o comunismo?

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