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Papas pela Evolução - I

De Pio XII a Paulo VI

Prof. Remi Amelunxen
Um artigo recente publicado no site TIA apresentou o ensinamento tradicional da Igreja sobre o pecado original mostrando a seriedade da negação progressista do relato do Gênesis. Também apontou para a ânsia progressista de se adaptar ao evolucionismo como a tendência central por trás dessa negação. Se alguém aceita a evolução universal, deve rejeitar o ensinamento católico sobre a criação, Deus, o mal, o pecado original, a Cruz e a Redenção.

Teilhard de Chardin

O jesuíta que deu novo impulso à teoria da evolução na Igreja foi o filósofo panteísta e paleontólogo fraudulento Padre Pierre Teilhard de Chardin. Chardin considerava suas ideias evolucionistas muito mais do que uma teoria ou um sistema: “É uma condição geral à qual todas as teorias, todas as hipóteses, todos os sistemas devem se curvar, e que devem satisfazer daqui em diante para serem pensáveis e verdadeiros. A evolução é uma luz que ilumina todos os fatos.” (1)

Década de 1920 - Chardin na China em busca do "elo perdido" necessário para sustentar a teoria da evolução

Em outra obra, ele afirma claramente as consequências da evolução que propõe: “Criação, espírito, mal, Deus – e mais especificamente, pecado original, a Cruz, a Ressurreição, a Parusia, caridade – todas essas noções, uma vez transpostas para uma dimensão de 'gênese', tornam-se surpreendentemente claras e coerentes.” (2) Por gênese, ele entendia evolução.

Antes do Vaticano II, as obras de Teilhard de Chardin que promoviam a evolução e se opunham ao pecado original foram proibidas pelo Superior dos Jesuítas (1925); Roma também o proibiu de escrever ou lecionar sobre assuntos filosóficos; suas obras foram banidas das bibliotecas católicas ou impedidas de serem traduzidas para outros idiomas (1957). Seus livros e artigos, no entanto, circulavam privadamente entre teólogos e estudiosos progressistas. Em 1962, o Santo Ofício ainda emitiu uma forte condenação ao controverso teólogo. (3)

Não obstante, sua influência tenha sido notável durante o Concílio. O Card. Joseph Ratzinger, por exemplo, sustenta que a Constituição pastoral Gaudium et spes do Vaticano II foi amplamente influenciada pelas opiniões de Teilhard de Chardin. (4)

Após o Vaticano II, as teorias evolucionistas de Chardin começaram a ser ensinadas e defendidas abertamente, embora essa condenação nunca tenha sido oficialmente revogada. De fato, o Cardeal Agostino Casaroli, Secretário de Estado do Vaticano, enviou em 1981 uma carta, em nome de João Paulo II, ao Reitor do Institut Catholique de Paris elogiando o Pe. Teilhard de Chardin. Essa carta ficou famosa por sua “reabilitação.” (5)

Um ano depois, o Cardeal Joseph Ratzinger também elogiou Teilhard por "incluir o movimento histórico do cristianismo no processo cósmico da evolução" em sua obra, Os Princípios da Teologia Católica. (6)

Essa reabilitação tornou-se quase completa com o elogio em 2009 do Papa Bento XVI, que apresentou Chardin como um sacerdote modelo, afirmando: “É a grande visão que Teilhard de Chardin também teve mais tarde: no fim, teremos uma verdadeira liturgia cósmica, onde o cosmos se torna uma hóstia viva… Oremos ao Senhor para que nos ajude a ser sacerdotes nesse sentido… para ajudar na transformação do mundo na adoração a Deus, começando por nós mesmos.” (7)

Pio XII abre as portas para a evolução

Entre as encíclicas de destaque do Papa Pacelli, está a Humani Generis escrita em 1950, que trata da origem do homem. Ela tinha como objetivo genérico censurar a Nouvelle Théologie e suas teorias e, por essa razão, nela o Pontífice reafirmou a natureza infalível da verdade contida nos primeiros capítulos do Gênesis. (8)

Pio XII abriu as portas para a evolução

Mas, especificamente, partes dessa Encíclica abriram portas para alguma discussão limitada sobre a evolução. Primeiro, Pio XII sugere que mais estudos sobre o tema eram necessários e poderiam comprovar a evolução. De fato, foi exatamente isso que João Paulo II afirmou quando se referiu a ela em outubro de 1996: “A Humani Generis considered evolution to be a serious hypothesis worthy of more deeply studied investigation.” (9)

Segundo, Pio XII afirmou que nada na doutrina católica é contradito por uma teoria sugerir que uma espécie possa evoluir para outra, mesmo que essa espécie seja o homem. (10) Essa declaração de Pio XII iniciou a crescente aceitação da evolução na Igreja.

Paulo VI

Em suas Memórias, Henri de Lubac observou que Paulo VI havia expressado uma opinião favorável a Teilhard de Chardin, opinião que compartilhou em um discurso perante uma assembleia de teólogos na Pontifícia Academia Romana de São Tomás de Aquino, em junho de 1963. (11)

a black and white photograph of Pope Paul VI

Paulo VI elogiou a teoria da evolução de Chardin

Paulo VI foi mais explícito em sua admiração pela teoria de Chardin em um discurso proferido em 1966 a empregadores e trabalhadores de importante empresa farmacêutica. Nele, elogiou o cerne da teoria da evolução do universo de Chardin e a apontou como um modelo para a ciência. Embora Paulo VI tenha feito algumas restrições em seu elogio, tratava-se de um forte endosso às teses heterodoxas de Teilhard. (12)

Vemos, portanto, que as censuras contra as teorias evolucionistas não foram suficientes para deter sua disseminação. Pio XII abriu-lhes as portas, o Concílio as aceitou e as incorporou em um de seus principais documentos, e Paulo VI iniciou uma consagração pública do Padre Teilhard de Chardin. O que havia sido condenado por razões justas e para a preservação da fé católica, foi aceito sem a correção de nenhum de seus erros anteriores.

O trágico é que os Papas que sucederam a Paulo VI continuaram no mesmo caminho, elogiando o teólogo panteísta e promovendo o evolucionismo. É isso que analisaremos no próximo artigo.


“Dada a atualidade do tema deste artigo (22 de junho de 2012), TIA do Brasil resolveu republicá-lo - mesmo se alguns dados são antigos - para benefício de nossos leitores.”


  1. O Fenômeno do Homem, 1940, p. 219;
  2. Theodosius Dobzhansky, “Teilhard de Chardin e a Orientação da Evolução: Ensaio Crítico,” Zygon: Revista de Religião e Ciência, 3, setembro de 1968;
  3. L'Osservatore Romano, 1º de julho de 1962, p.1;
  4. Les Principes de la Theologie Catholique - Esquisse et Materiaux, Paris: Tequi, 1982, pp. 374-375;
  5. Card. Casaroli praises Teilhard de Chardin on behalf of John Paul II,” L’Osservatore Romano, 10 de junho de 1981;
  6. Les Principes de la Theologie Catholique - Esquisse et Materiaux, Paris: Tequi, 1982, pp. 374-375;
  7. Bento XVI elogia a liturgia cósmica de Teilhard de Chardin,” L’Osservatore Romano, 29 de julho de 2009;
  8. Atila Guimarães, Animus Imjuriandi II, Cap IV.3, p. 214, nota 42;
  9. Discurso de João Paulo II à Pontifícia Academia das Ciências (22 de outubro de 1996);
  10. “O Magistério da Igreja não proíbe que, em conformidade com o estado atual das ciências humanas e da teologia sagrada, se realizem pesquisas e discussões, por parte de homens com experiência em ambos os campos, a respeito da doutrina da evolução, na medida em que esta investiga a origem do corpo humano a partir de matéria preexistente e viva – pois a fé católica nos obriga a sustentar que as almas são criadas imediatamente por Deus.” (Humani Generis, 1950);
  11. “Eles acham que ganharam!,” Si si no no, abril de 1994, n. 7;
  12. Paulo VI, Discurso aos empregadores e trabalhadores de uma empresa farmacêutica, 24 de fevereiro de 1966, in Insegnamenti di Paolo VI, Poliglotta Vaticana, 1966, pp. 992-93).
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Postado em 11 de fevereiro de 2026