Vergine Bella (Virgem Bela) é um moteto sacro renascentista do compositor francês Guillaume Dufay, musicado com o texto do famoso soneto de Francesco Petrarca.
O poema é uma súplica a Nossa Senhora, implorando por sua ajuda em tempos de guerra. O cantor – um contratenor – a invoca, “tu que sempre respondes a todos os que a invocam com fé.” O texto faz referência à famosa cena do Apocalipse, descrita por São João: “E apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.” (Apoc 12,1). O moteto é uma fervorosa oração de batalha, repleta de fé e confiança na onipotente intercessão de Nossa Senhora perante Deus.
Vergine Bella é aqui interpretada pelo
Early Music Consort of London. Outra versão para três flautas doces pode ser encontrada aqui.
Ouça Vergine Bella interpretada pelo Early Music Consort de Londres
Letra (1):
Texto em italiano:
Vergine bella, che di sol vestita,
Coronata di stelle, al sommo Sole
Piacesti sí, che ’n te Sua luce ascose,
Amor mi spinge a dir di te parole:
Ma non so ’ncominciar senza tu’ aita,
Et di Colui ch’amando in te si pose.
Invoco lei che ben sempre rispose,
Chi la chiamò con fede:
Vergine, s’a mercede
Miseria extrema de l’humane cose
Già mai ti volse, al mio prego t’inchina,
Soccorri a la mia guerra,
Bench’i’ sia terra, et tu del ciel Regina.
Tradução para o português:
Virgem bela, que de sol vestida,
Coroada de estrelas, ao sumo Sol,
Agradastes tanto que em ti Sua luz escondeu;
O amor me impele a dirigir-te minhas palavras,
Contudo, não posso começar sem o teu auxílio,
E o d'Aquele que, por amor, habitou em ti.
Invoco aquela que sempre atendeu prontamente
A todos os que a invocam com fé.
Virgem, tende piedade
Da miséria da condição humana.
Tu jamais te afastaste, ó, ouve-me agora.
Socorre-me em minha luta,
Embora eu seja da terra e tu sejas Rainha do Céu.
À esquerda da corte celestial de Anjos (retratados com instrumentos musicais), Nossa Senhora recebe uma Veneza alegórica, representada pela mulher ajoelhada com coroa e adaga. Ao redor de Nossa Senhora Veneza (da esquerda para a direita) estão São Pedro (capa amarela com chaves), São Roque (hábito preto e branco), Santa Justina e São Marcos Evangelista (capa amarela à direita com um leão sentado ao lado, o padroeiro de Veneza). No canto direito da nuvem, um Anjo é visto lançando flechas flamejantes contra a frota turca. Fontes
aqui e
aqui.
Texto e tradução adaptados da Choral Public Domain Library,
aqui.